quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Sobre o medo, o sucesso e as questões que nos atormentam (I):

16h24 e dei por mim a pensar numa sala do museu onde estou a estagiar, quem é que eu iria ser daqui a 10 anos.
Serei um profissional bem sucedido? Terei que voltar a casa da minha mãe e trabalhar em algo que não gosto? Serei feliz naquilo que fizer? Trabalharei num museu, estarei doutorado, trabalharei em moda, o que farei eu?
Tenho muitas ideias daquilo que quero ser no futuro: talvez conservador de um museu, talvez investigador, talvez professor, sei lá… Nos últimos tempos tenho cada vez menos pensado nisso, mas parece que parei agora e pensei em tudo o que tinha deixado por pensar desde Setembro até agora.
Tudo parece muito mais longe do que os 20 anos que apenas tenho. Parece que somos pressionados desde cedo a ser bem sucedidos sem que tenhamos margem para parar, chorar e dizer: “…e se correr mal?”. Voltar a casa é sempre uma opção segura quando o norte está perdido, é certo, mas e o sucesso profissional que nos fazem engolir à força toda? O que é feito disso quando temos que guardar o orgulho no bolso e dizer “tenho que voltar a casa dos meus pais”?
Este podia ser um texto em que digo que tenho saudades de casa, admito que as tenho, mas não me resigno a viver numa Lisboa que não me completa, onde eu e os meus competimos pelos mesmos lugares e onde as amizades muitas vezes ficam de parte, por uma vaga num posto técnico qualquer. Solidariedade: falam dela vezes de mais, por tudo e por nada, mas nunca vi ninguém a ser solidário com o companheiro que não consegue a oportunidade que queria.

É necessário ter um plano A, um plano B, um plano C, “o abecedário inteiro”, como costumo dizer. Se calhar o meu verdadeiro problema é mesmo esse, o de ter planos a mais.