terça-feira, 26 de setembro de 2017

#1 \ A chegada

O dia podia ter começado melhor: febre, dores de garganta, dores no corpo e uma vontade gigante de não querer sair da cama. Entre mais ou menos correria, fechei as malas, baixei os estores e disse adeus ao quarto que me recebeu durante 8 anos da minha vida.
Nunca pensei ficar tão farto de aeroportos, como na minha despedida das terras de Afonso Henriques. Por entre "o voo está cheio (...) é provável que vá ter que ir noutro", à clássica criança que não pára quieta o voo inteiro, passando numa violenta troca de insultos à Cabify (spoiler alert: sou team Uber) e a acabar com um motorista português, que se mostrou ser a pessoa mais afável com quem teria falado naquele dia, eis que tinha chegado a Barcelona.


Barcelona essa que me recebeu muito mal, diga-se de passagem: polícias de metralhadora em punho a olharem para televisores, um sol de pouca dura, uma chuva que deixou a senhora minha mãe encharcada, em lágrimas - talvez por mim e por ela -, ruas que parecem todas iguais e feitas do mesmo e a comida, que volto a confirmar ser uma bodega. 
Depois de uma caminhada sozinho, após ter deixado a minha mãe com a Alicia - uma senhora encantadora que num Airbnb lhe preparou uma tortilla de patata, capaz de a fazer sorrir após a chuva intensa na capital catalã -, tenho a constatar que esta cidade será a minha casa nos próximos 10 meses.
Fiz a vontade à D.Maria João e trouxe um queque de chocolate para casa, para "comer alguma coisa" e para lhe secar as lágrimas, que de nervosismo ou felicidade, são muitas. Poderia acabar com um "mal posso esperar pelo dia de amanhã", mas a verdade é que estou assustado, mas esperançoso, afinal de contas os terroristas não atacam duas vezes no mesmo sítio.